Depois do Relvas, depois do Coelho, temos o Costa! E a verdade é que tenho de ser coerente: não podemos ter um primeiro-ministro a motivar as pessoas a sair do País. Compreendo a sugestão e a motivação dada para que muitos consigam sair de situações pessoais dramáticas, pelo desemprego e dificuldades económicas inerentes. Compreendo a estratégia de dinamizar a Língua Portuguesa mas acho-a uma demonstração de orgulho vazio e inconsequente. Mais, falho em ver o retorno directo da emigração à economia de Portugal. Talvez só pelas férias e pelo dinheiro gasto em ir mantendo a casa da família lá na terrinha. A verdade é que, a longo prazo, a emigração apenas tem uma consequência: o esvaziamento populacional de Portugal da geração mais activa e a decepar uma já envelhecida pirâmide demográfica. Acredito que estes senhores, no seu dia-a-dia, brincam com folhas de excel e alcançam a conclusão que a solução para os problemas da economia de Portugal (ou dos seus problemas pessoais) é a redução/eliminação daquela célula da folha de cálculo legendada de “número de pessoas dependentes”. Ora, especulo que estas folhas de cálculo não prevêem nada além das próximas legislativas. Mas deixo uma achega: a malta que vai, não volta. Nem os filhos deles…
Fui! Fui, tal como muitos outros da minha geração, por outros mares fora e para terras desconhecidas em busca de pimenta para o bife e chás porventura exóticos. Ilustração de autor desconhecido (agradeço a referência a quem a souber indicar). Talvez esta necessidade de “ir” esteja já bem impregnada na cultura portuguesa. Talvez até já esteja estruturada nos nossos genes. Afinal já fomos caçadores-recolectores, nómadas, exploradores e descobridores. Ou, simplesmente, por tantos da minha geração não cabermos em Portugal. Não por o País ser pequeno. Não é! Nem o País nem as suas gentes. Nem podemos procurar refúgio na afirmação vulgar que o País é a cauda da Europa. Não num mundo que é, hoje, verdadeiramente global e bem redondo (também isso à nossa conta). Mas porque a insegurança de alguns, a ganância de muitos outros e toda uma cultura profissional arrastada pela desvalorização, subserviência e ilegalidade não parecem conseguir encaixar a nossa visão, ambição e ética. Ao contrár...
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