Fui! Fui, tal como muitos outros da minha geração, por outros mares fora e para terras desconhecidas em busca de pimenta para o bife e chás porventura exóticos.
Talvez esta necessidade de “ir” esteja já bem impregnada na cultura portuguesa. Talvez até já esteja estruturada nos nossos genes. Afinal já fomos caçadores-recolectores, nómadas, exploradores e descobridores. Ou, simplesmente, por tantos da minha geração não cabermos em Portugal. Não por o País ser pequeno. Não é! Nem o País nem as suas gentes. Nem podemos procurar refúgio na afirmação vulgar que o País é a cauda da Europa. Não num mundo que é, hoje, verdadeiramente global e bem redondo (também isso à nossa conta). Mas porque a insegurança de alguns, a ganância de muitos outros e toda uma cultura profissional arrastada pela desvalorização, subserviência e ilegalidade não parecem conseguir encaixar a nossa visão, ambição e ética. Ao contrário do País, estes não merecem o sacrifício de uma inteira geração.
Levo apenas comigo o limite de peso da transportadora aérea. E levo, também, as minhas escolas: aquela mais importante, a escola da vida; mas também aquela mais académica, que pouco parece servir em Portugal. Levo a minha profissão, a minha carreira, a minha experiência, competências, aptidões, capacidades e criatividade. E levo a minha vontade de continuar a aprender a minha profissão com quem sabe e quer ensinar. Sinto que em Portugal já pouco mais poderia aprender. Só me restaria a “tuguice”, a politiquice, a chico-esperteza, a pato-bravice e os truques (dignos de um jogo da sueca) dos meandros do poder. Não preciso dessas “valências”. Preciso, isso sim, de exercer a minha profissão num qualquer Mundo Novo. A minha companheira juntar-se-á a mim, levando também ela todo este parágrafo.
Deixo Mãe, família e saudades. Como tantos outros da minha geração…
Voltarei, é certo. Pelo menos, para aqueles momentos em que sei que poderei estar no meu País a disfrutar da companhia dos que ficam e, também, do melhor (e muito) que Portugal dá a todos nós.
Ilustração de autor desconhecido (agradeço a referência a quem a souber indicar).
Talvez esta necessidade de “ir” esteja já bem impregnada na cultura portuguesa. Talvez até já esteja estruturada nos nossos genes. Afinal já fomos caçadores-recolectores, nómadas, exploradores e descobridores. Ou, simplesmente, por tantos da minha geração não cabermos em Portugal. Não por o País ser pequeno. Não é! Nem o País nem as suas gentes. Nem podemos procurar refúgio na afirmação vulgar que o País é a cauda da Europa. Não num mundo que é, hoje, verdadeiramente global e bem redondo (também isso à nossa conta). Mas porque a insegurança de alguns, a ganância de muitos outros e toda uma cultura profissional arrastada pela desvalorização, subserviência e ilegalidade não parecem conseguir encaixar a nossa visão, ambição e ética. Ao contrário do País, estes não merecem o sacrifício de uma inteira geração.
Levo apenas comigo o limite de peso da transportadora aérea. E levo, também, as minhas escolas: aquela mais importante, a escola da vida; mas também aquela mais académica, que pouco parece servir em Portugal. Levo a minha profissão, a minha carreira, a minha experiência, competências, aptidões, capacidades e criatividade. E levo a minha vontade de continuar a aprender a minha profissão com quem sabe e quer ensinar. Sinto que em Portugal já pouco mais poderia aprender. Só me restaria a “tuguice”, a politiquice, a chico-esperteza, a pato-bravice e os truques (dignos de um jogo da sueca) dos meandros do poder. Não preciso dessas “valências”. Preciso, isso sim, de exercer a minha profissão num qualquer Mundo Novo. A minha companheira juntar-se-á a mim, levando também ela todo este parágrafo.
Deixo Mãe, família e saudades. Como tantos outros da minha geração…
Voltarei, é certo. Pelo menos, para aqueles momentos em que sei que poderei estar no meu País a disfrutar da companhia dos que ficam e, também, do melhor (e muito) que Portugal dá a todos nós.

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